
Você sabe o que é a Umbanda? Quer conhecer sua história e entender como funciona? Neste artigo vamos explicar um pouco sobre a sua história.
A Umbanda é uma religião brasileira, nascida no coração do povo, que une espiritualidade, fé e caridade em uma só prática. Para quem a vive por dentro, a Umbanda não é apenas uma religião — é um caminho de amor, cura e evolução espiritual. Como definiu o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas no momento em que a religião foi anunciada ao mundo: “A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade.”
Neste artigo, você vai entender o que é a Umbanda, conhecer sua história, seus princípios, suas entidades e descobrir como praticar a Umbanda de forma consciente e respeitosa.
O que Significa a Palavra Umbanda?
Antes de mergulharmos na história e nas práticas, vale entender a origem do próprio nome. A palavra Umbanda tem raízes na língua Quimbundo, falada pelo povo de Angola, e carrega significados profundos que se complementam:
- “Arte de Curar” ou “Lugar de Culto” — evocando a missão central dessa religião
- “Magia” ou “Sacerdote” — reconhecendo a força espiritual que a sustenta
Esses significados juntos já dizem muito sobre o espírito da Umbanda: uma prática voltada para a cura, para o auxílio ao próximo e para a conexão com forças espirituais elevadas.
O que é a Umbanda?
A Umbanda é uma religião afro-brasileira que nasceu no Brasil no início do século XX. Por seu caráter mestiço e profundamente sincrético, ela é considerada uma religião genuinamente nacional — talvez a mais brasileira de todas.
Ela é fruto de uma confluência sagrada de diferentes matrizes espirituais e culturais:
- A espiritualidade africana, trazida pelos povos escravizados, com o culto aos Orixás e às entidades como Pretos-Velhos, Caboclos e Exus
- O Espiritismo Kardecista, que trouxe a noção de mediunidade, reencarnação e evolução espiritual
- O Catolicismo popular, com a devoção aos santos, às orações e ao sincretismo religioso
- A tradição indígena brasileira, presente especialmente nos Caboclos e nas práticas com ervas e elementos da natureza
Dessa fusão nasceu algo único no mundo: uma religião que acolhe a todos sem distinção de raça, classe social ou crença anterior. A Umbanda fala aos humildes, aos que sofrem, aos que buscam um caminho de luz.
Na Umbanda, acredita-se que espíritos evoluídos — chamados de entidades — trabalham como intermediários entre o mundo espiritual e o material, oferecendo orientação, cura e proteção às pessoas que buscam auxílio nos terreiros. Abaixo do Deus supremo — chamado Olorum ou Zambi — estão os Orixás, as grandes forças da natureza, e as entidades que se manifestam através dos médiuns durante os trabalhos.
A História da Umbanda: Como Tudo Começou
O nascimento oficial: 15 de novembro de 1908
A data oficial do nascimento da Umbanda é 15 de novembro de 1908, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro — data que hoje é celebrada como o Dia Nacional da Umbanda. Foi nessa noite que um jovem médium chamado Zélio Ferdinando de Moraes, então com 17 anos, deu voz a um espírito que mudaria a história espiritual do Brasil.
A história de Zélio começa com um mistério: ele sofria de uma paralisia inexplicável — nenhum exame médico apontava causa. Certa manhã, acordou e disse à família: “Amanhã estarei curado.” No dia seguinte, levantou-se da cama e andou como se nada tivesse acontecido. Médicos e padres ficaram perplexos.
Levado à Federação Espírita de Niterói para uma sessão, algo extraordinário aconteceu. No meio dos trabalhos, Zélio foi tomado por um espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas. Quando o dirigente do centro tentou “doutrinar” aquele espírito — por considerá-lo “atrasado espiritualmente” por ser de origem indígena —, o Caboclo respondeu com uma pergunta que ecoou na história:
“Por que consideram atrasados esses espíritos, apenas por serem de cor e classe social diferentes na última reencarnação?”
E então anunciou:
“Amanhã estarei em casa deste aparelho para dar início a um culto em que esses pretos e índios poderão passar suas mensagens e, assim, cumprir a missão espiritual que a eles foi confiada. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”
No dia seguinte, em sua casa em São Gonçalo, Zélio incorporou novamente o Caboclo, que anunciou o nome da nova religião e fundou o primeiro centro de Umbanda do Brasil: a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Doentes que esperavam do lado de fora foram convidados a entrar. Os trabalhos de cura se iniciaram. Ao final da sessão, manifestou-se um Preto-Velho — Pai Antônio — que entoou o primeiro ponto cantado da Umbanda. A religião estava oficialmente nascida.
Raízes que antecedem 1908
É importante reconhecer que, embora 1908 seja o marco oficial, a Umbanda não surgiu do nada. Antes dela, já existiam terreiros de Candomblé que cultuavam os Orixás, e centros kardecistas que recebiam entidades de Pretos-Velhos e Caboclos. A Umbanda foi a síntese sagrada dessas tradições, organizada em uma nova forma religiosa com identidade própria, surgida num Brasil que acabara de viver a abolição da escravatura e passava por intensa transformação social e urbana.
Para conhecer com mais profundidade essa trajetória, leia nosso artigo completo sobre a história da Umbanda, suas origens, evolução e diversidade.
Os Princípios e Crenças da Umbanda
A Umbanda é uma religião de princípios claros, mesmo que sua prática varie de terreiro para terreiro. Entre os pilares fundamentais que sustentam essa fé, destacam-se:
1. Caridade como lei maior
Na Umbanda, a caridade não é apenas uma virtude — é uma lei espiritual. Todo o trabalho realizado nos terreiros é gratuito e voltado para o bem. As cerimônias são abertas ao público e nenhuma entidade verdadeiramente evoluída cobra pelo seu auxílio. “Fora da caridade não há salvação” é uma das máximas mais conhecidas entre os umbandistas.
2. Evolução espiritual e reencarnação
A Umbanda acredita na reencarnação como mecanismo de evolução da alma. Cada vida é uma oportunidade de aprender, corrigir erros e avançar espiritualmente. As entidades que trabalham na Umbanda são espíritos que, em suas jornadas, acumularam sabedoria e agora a utilizam para ajudar os encarnados.
3. A Lei de Causa e Efeito
Tudo o que fazemos — bem ou mal — gera consequências em nossa trajetória espiritual. Na Umbanda, essa lei é tratada com profunda seriedade, sendo um dos pilares da doutrina. Aprenda mais sobre esse princípio em nosso artigo sobre a Lei de Causa e Efeito na Umbanda.
4. A hierarquia espiritual
Na Umbanda, existe uma hierarquia espiritual que vai desde Olorum (o Deus supremo, também chamado de Zambi) até os Orixás, as entidades e os médiuns. Abaixo de Olorum estão os Orixás, forças da natureza que regem o universo; abaixo deles, as entidades que se manifestam nos terreiros. Cada ser ocupa um lugar nessa corrente de luz, e o respeito a essa hierarquia é fundamental para a harmonia dos trabalhos.
5. O papel de Jesus e Oxalá
Para muitos umbandistas, Jesus Cristo é identificado com Oxalá, o Orixá da paz, da criação e da luz. Ele representa o mais alto grau de evolução espiritual na linha da Umbanda. Entenda melhor essa relação em nosso artigo sobre quem é Jesus na Umbanda.
As Ramificações da Umbanda
A Umbanda não é uma religião monolítica. Ao longo de mais de um século, ela se desenvolveu em diferentes vertentes, cada uma com suas ênfases e práticas:
- Umbanda Tradicional — a linha fundada por Zélio de Moraes no Rio de Janeiro, com forte ênfase na caridade e na mediunidade dos Caboclos e Pretos-Velhos
- Umbanda Branca — mais próxima do Espiritismo Kardecista, com uso predominante de roupas brancas e liturgia mais contida
- Umbandomblé ou Umbanda Traçada — vertente em que um mesmo sacerdote conduz sessões de Umbanda e de Candomblé, preservando elementos de ambas as tradições
- Umbanda de Caboclo — com forte influência da espiritualidade indígena brasileira, valorizando as plantas, a mata e os rituais da terra
Essa diversidade é uma das riquezas da Umbanda e explica por que dois terreiros podem ter liturgias bastante diferentes mantendo o mesmo espírito de caridade e fé.
Os Orixás na Umbanda
Os Orixás são as grandes divindades da Umbanda — forças da natureza que regem aspectos do universo e da vida humana. Na Umbanda, eles não se manifestam diretamente através dos médiuns durante os trabalhos cotidianos (essa é uma distinção importante em relação ao Candomblé), mas regem e protegem os filhos que estão sob sua guarda. Cada Orixá tem suas cores, seus símbolos, seus elementos e dias de devoção específicos.
Para conhecer todos os Orixás com profundidade, leia nosso guia completo sobre quem são os Orixás na Umbanda.
Oxalá — O Pai de Todos
Oxalá é o Orixá maior, pai de todos os outros Orixás e guardião da paz e da criação. Sua cor é o branco, símbolo de pureza. No sincretismo, é identificado com Jesus Cristo. Conheça mais sobre Oxalá, o Pai de Todos os Orixás.
Ogum — O Guerreiro dos Caminhos
Ogum é o senhor da guerra, do ferro e dos caminhos. Ele abre as estradas para quem precisa seguir em frente. No sincretismo, é São Jorge. Saiba mais sobre Ogum na Umbanda e no Candomblé.
Iemanjá — A Rainha das Águas
Iemanjá é a mãe das águas salgadas, protetora dos filhos e das famílias. Sua cor é o azul claro e o branco. No sincretismo, é Nossa Senhora. Conheça quem é Iemanjá.
Iansã — A Senhora das Tempestades
Iansã governa os ventos, as tempestades e os raios. É uma Orixá de força, transformação e coragem. No sincretismo, é Santa Bárbara. Descubra mais sobre Iansã, a Senhora das Tempestades.
Xangô — O Senhor da Justiça
Xangô rege a justiça, o trovão e as pedras. Seu símbolo é o machado duplo. É implacável com os injustos e protetor dos que buscam o caminho certo. Saiba mais sobre Xangô.
Oxum — A Senhora das Águas Doces
Oxum governa as águas doces, o amor, a fertilidade e a beleza. É uma das Orixás mais amadas nos terreiros. Conheça quem é Oxum.
As Entidades da Umbanda
Diferente dos Orixás, as entidades são espíritos de pessoas que viveram na Terra e, após a morte, continuam sua missão espiritual auxiliando os encarnados. Elas se manifestam através dos médiuns durante as giras nos terreiros e são o principal canal de atendimento ao consulente. Cada entidade representa um tipo popular genuinamente brasileiro e carrega a sabedoria de sua experiência de vida.
Pretos-Velhos

Os Pretos-Velhos são espíritos de ancestrais africanos escravizados que, apesar de todo o sofrimento vivido em vida, transcenderam a dor e tornaram-se portadores de uma sabedoria imensurável. Sentados em seus banquinhos, com cachimbo e guia, eles oferecem conselho, cura e acolhimento com uma paciência que só quem muito evoluiu pode ter. São talvez as entidades mais amadas na Umbanda.
Saiba mais sobre os Pretos-Velhos, os guardiões ancestrais da Umbanda.
Caboclos
Os Caboclos são espíritos de indígenas brasileiros — guerreiros, caçadores, curandeiros — que trazem a força da mata, a sabedoria das plantas e a energia da terra. São entidades de muita luz, vigor espiritual e autoridade. Trabalham fortemente com curas e limpezas energéticas.
Exus e Pombagiras

Os Exus são guardiões das encruzilhadas, mensageiros e trabalhadores das forças da transformação. Muito incompreendidos por quem não conhece a Umbanda, eles são espíritos que trabalham rigorosamente dentro da lei — nunca contra ela. As Pombagiras são as contrapartes femininas dos Exus: entidades de grande força, que auxiliam especialmente em questões de amor, autoestima e proteção das mulheres. Entenda essa figura com mais profundidade em nosso artigo sobre quem é Exu na Umbanda, desmistificando preconceitos.
Baianos
Os Baianos são entidades descontraídas, alegres e de grande energia positiva. Conhecidos por sua sinceridade e pela força espiritual, atuam especialmente em questões de trabalho, saúde, determinação e fortalecimento moral.
Boiadeiros
Os Boiadeiros são espíritos ligados ao sertão, ao campo aberto e ao trabalho da terra. Chegam com o cheiro da poeira e da liberdade, carregando uma sabedoria simples e profunda, muito eficaz nas limpezas e na dissolução de amarrações.
Marujos
Os Marujos são espíritos que tiveram em vida uma ligação com o mar. Chegam com um leve balanço corporal que imita as ondas, e são muito conhecidos por sua sinceridade e pela eficácia nos trabalhos de limpeza espiritual e equilíbrio emocional.
Erês
Os Erês são entidades infantis — espíritos que se manifestam como crianças. Por trás da aparente ingenuidade, carregam uma capacidade única de identificar verdades e revelar situações ocultas. Trabalham com leveza, alegria e uma espiritualidade desarmante.
O Terreiro: O Espaço Sagrado da Umbanda
O terreiro — também chamado de Centro, Casa ou Barracão — é o espaço sagrado onde os trabalhos de Umbanda acontecem. É ali que médiuns, entidades e consulentes se encontram em uma corrente de fé e caridade.
No centro do terreiro está o congá: o altar sagrado onde ficam as imagens dos Orixás, as velas, as guias e os símbolos da casa. O congá representa a conexão entre o mundo material e o espiritual, e cada terreiro organiza o seu de acordo com sua tradição e linha de trabalho.
Os terreiros de Umbanda também realizam celebrações ao ar livre, junto à natureza — em rios, cachoeiras, praias e matas — especialmente nas datas consagradas a cada Orixá.
Umbanda e Candomblé: Quais as Diferenças?
Essa é uma das dúvidas mais comuns entre quem começa a se interessar pelas religiões afro-brasileiras. Embora compartilhem raízes e o culto aos Orixás, Umbanda e Candomblé são religiões distintas com histórias e práticas próprias.
| Umbanda | Candomblé | |
|---|---|---|
| Origem | Brasil, séc. XX | África, trazida ao Brasil no período colonial |
| Incorporação | Entidades (Pretos-Velhos, Caboclos, Exus, Baianos etc.) | Os próprios Orixás se incorporam nos filhos-de-santo |
| Língua ritual | Português | Iorubá, Fon ou Banto |
| Sincretismo | Fortemente sincrético (catolicismo + espiritismo + tradições africanas e indígenas) | Menos sincrético, mais próximo das tradições africanas originais |
| Sacrifício de animais | Não praticado na Umbanda Branca tradicional | Presente em algumas nações |
| Estrutura | Descentralizada e diversa entre os terreiros | Mais codificada por nação (Nagô, Jeje, Angola etc.) |
Ambas merecem profundo respeito como expressões genuínas da espiritualidade afro-brasileira. Conheça mais sobre a relação entre Santos Católicos na Umbanda para entender como se formou esse sincretismo único.
Como Praticar a Umbanda
Uma das perguntas que mais recebemos é: “Como praticar a Umbanda?” A resposta não é única, pois a Umbanda é uma religião de muitas facetas. Mas existem caminhos claros para quem deseja se aproximar com respeito e intenção sincera.
1. Busque um terreiro de confiança
O primeiro passo para praticar a Umbanda é encontrar um terreiro sério. Um bom terreiro é aquele onde a caridade é praticada sem cobranças, onde o respeito é mútuo e onde a hierarquia espiritual é honrada. Visite, observe, sinta a energia do lugar. A Umbanda não cobra pela fé — desconfie de qualquer casa que exija pagamento pelos trabalhos espirituais.
2. Participe das giras como consulente
Antes de assumir qualquer compromisso espiritual, você pode frequentar as giras como consulente — ou seja, como alguém que busca auxílio e orientação das entidades. As cerimônias da Umbanda são abertas ao público. É uma forma linda de se familiarizar com a liturgia, as orações e os Pontos Cantados da Umbanda.
3. Receba um passe
O passe é uma das práticas mais acessíveis e transformadoras da Umbanda. Trata-se de uma transmissão de energia espiritual realizada pelos médiuns, que visa equilibrar, limpar e fortalecer o campo energético do consulente. Conheça os benefícios do passe na Umbanda.
4. Conheça o descarrego
Além do passe, a Umbanda oferece as sessões de descarrego — rituais voltados especificamente para aliviar energias negativas acumuladas, desfazer amarrações e fortalecer espiritualmente o consulente. É um trabalho profundo e transformador.
5. Cuide da sua energia no dia a dia

A Umbanda ensina que cuidar da própria energia é um ato de espiritualidade contínua. Banhos de ervas, defumações e limpezas energéticas fazem parte desse cuidado que vai além dos dias de gira. Confira nosso guia sobre Ervas Sagradas da Umbanda e aprenda também sobre a Limpeza Energética com Sal Grosso.
6. Estude e respeite a doutrina
A prática da Umbanda sem estudo pode levar a equívocos. Conhecer os Orixás, entender as entidades, aprender sobre os pontos de Umbanda e compreender os rituais é parte fundamental do caminho. Um umbandista que estuda é um umbandista que evolui.
7. Desenvolva sua mediunidade (se sentir o chamado)
Nem todos os praticantes são médiuns, e isso está completamente dentro da normalidade. Mas se você sente que carrega esse dom, o terreiro é o lugar adequado para desenvolvê-lo com responsabilidade, orientado por um pai ou mãe de santo experiente. A mediunidade, quando bem desenvolvida, é uma ferramenta de serviço e amor ao próximo.
Os Símbolos Sagrados da Umbanda
A Umbanda é uma religião rica em simbologia. Conhecer os principais símbolos ajuda a compreender melhor sua liturgia:
- Pemba — giz sagrado utilizado para riscar pontos no chão, consagrar e proteger espaços. Cada entidade tem seus pontos riscados próprios
- Guias — colares de contas com cores específicas de cada Orixá, usados como proteção e identificação espiritual
- Velas — elemento fundamental nos rituais, com cores que correspondem a cada Orixá ou entidade
- Ervas sagradas — usadas em banhos, defumações e oferendas. Cada Orixá tem suas plantas de correspondência
- Atabaque — instrumento de percussão que marca o ritmo das giras e chama as entidades através dos pontos cantados
- Congá — o altar central do terreiro, onde ficam as imagens e os símbolos das divindades
A Umbanda no Brasil Hoje
A Umbanda é uma das religiões mais praticadas no Brasil, presente em todos os estados do país. Os terreiros são espaços de acolhimento genuíno, especialmente para populações que encontram na Umbanda fé, identidade cultural e pertencimento.
Infelizmente, a Umbanda ainda enfrenta intolerância religiosa em muitos contextos sociais — um problema sério que merece atenção e combate. Quanto mais as pessoas entenderem o que realmente é a Umbanda, mais o respeito poderá florescer. A Umbanda é resistência, é ancestralidade, é fé que pulsa desde as senzalas até os terreiros de hoje.
Perguntas Frequentes sobre a Umbanda
O que é a Umbanda em resumo? A Umbanda é uma religião afro-brasileira nascida em 1908, que une elementos do espiritismo, do catolicismo, das tradições africanas e da espiritualidade indígena. Tem como princípio central a caridade e acredita na evolução espiritual através da reencarnação e da prática do bem.
A Umbanda é uma religião perigosa? Não. A Umbanda é uma religião baseada na caridade, no amor e na evolução espiritual. Um terreiro sério trabalha sempre para o bem, nunca para o mal.
Umbanda é macumba? Não. “Macumba” é um termo popular e frequentemente pejorativo que não descreve adequadamente nenhuma religião específica. Na própria doutrina umbandista, o termo “macumba” é reservado para práticas de baixo espiritismo que trabalham para fins duvidosos — algo que a Umbanda repudia.
Exu é o diabo? Não. Essa é uma das maiores distorções sobre a Umbanda. O Exu umbandista é uma entidade trabalhadora que atua dentro da lei espiritual e para o bem. Ele nada tem a ver com a figura do diabo cristão — essa associação é fruto de preconceito histórico.
Umbanda e Candomblé são a mesma coisa? Não. As duas religiões compartilham o culto aos Orixás, mas são práticas distintas com histórias, liturgias e estruturas diferentes. O Candomblé é mais próximo das tradições africanas originais; a Umbanda é uma síntese genuinamente brasileira.
Preciso ser iniciado para frequentar um terreiro? Não. Qualquer pessoa pode frequentar um terreiro como consulente, participar das giras e receber atendimento das entidades, sem nenhum compromisso formal. A iniciação é um caminho para quem sente o chamado de trabalhar como médium.
Todo terreiro de Umbanda é igual? Não. A Umbanda é uma religião descentralizada, e cada terreiro tem suas tradições, liturgias e formas de trabalho. Essa diversidade é uma das suas maiores riquezas.
Conclusão: A Umbanda é um Caminho de Luz
Entender o que é a Umbanda é entender um pedaço profundo da alma brasileira. É reconhecer que no coração deste país pulsam tambores, rezas, fumaça de defumadores e o amor silencioso de um Preto-Velho que, mesmo tendo carregado correntes, escolheu a liberdade da caridade.
A Umbanda nasceu da resistência dos que foram marginalizados e transformou essa dor em cura. É uma religião que acolhe sem julgamento, que serve sem cobrar e que ensina que o caminho espiritual mais verdadeiro é aquele trilhado em favor do próximo.
Para quem a pratica, a Umbanda é simplesmente o caminho de volta para casa.
Se este artigo despertou sua curiosidade, continue explorando o universo da Umbanda aqui no Terra de Oxóssi. Cada artigo é uma porta aberta para um mundo de conhecimento, respeito e devoção.
Saravá a todos os Orixás! Saravá às entidades de luz!
Artigo escrito pela Equipe Terra de Oxóssi — conteúdos sobre Umbanda com respeito, profundidade e amor à religião.




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